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Quilombola quer fazer o Sertão virar um oásis em educação e inclusão

Publicada em 06/11/2024 às 19:59hBlog PE Noticias

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Quilombola quer fazer o Sertão virar um oásis em educação e inclusão

Na caatinga alagoana, região vizinha de Pernambuco, Bahia e Sergipe, a vida no alto Sertão não é para os fracos. Às vésperas de completar 23 anos, em 16 de novembro, Luiz César da Silva sabe bem disso. Quando nasceu, o lugar onde mora com a família nem energia elétrica tinha. A água brotava numa mina distante de casa, na zona rural do município.

 

Sofreu (e ainda sofre) muito preconceito, mas expressa certo orgulho ao afirmar que nunca passou fome. O problema era na hora de ir estudar. Encarava o sol forte, o poeirão, a chuva e a lama na caminhada de 15 km de casa até a escola, no centro de Mata Grande, cidade no sertão alagoano, distante 270 km de Maceió.

 

Aos 12 anos, após estourar as tiras da sandália pelo trajeto, chegar atrasado, com os pés à mostra, e entrar na mira de chacotas de colegas, resolveu juntar uma turma e reivindicar seus direitos. Depois de horas de espera e muito diálogo, conseguiu fazer com que o poder público garantisse transporte escolar gratuito.

 

Negro e da roça, mira as comunidades rurais em seus projetos voltados para a educação, a inclusão e o combate à intolerância no município de 22 mil habitantes, como quase 60% deles vivendo na zona rural.

 

Professor de geografia formado pela Universidade Federal de Alagoas, vive no sítio Pedra Miúda, no Saco do Jacu. É ali no roçado que pretende continuar atuando em defesa da presença do jovem no campo, sem abrir mão de uma formação educacional sólida.

 

“Costumo dizer que nasci avexado. É como a gente fala no Nordeste quando alguém é agitado, impaciente. Tenho pressa de transformar o mundo em um lugar melhor.

 

Venho de uma comunidade quilombola, rural, sou um sertanejo que sonha em construir uma sociedade na qual racismo, preconceito e homofobia não sigam sendo tão tóxicos como nos dias de hoje, ainda mais numa cidade pequena, onde o patriarcado e o machismo são pujantes.

 

Aqui, o amor deve ser fingido, a violência contra mulheres, ignorada. Por isso, acredito que nasci, sim, apressado. Tenho pressa por mudanças.

 

Essa minha vontade de transformar o mundo despertou quando tinha 12 anos. É difícil ver um primo ou amigo querer comer e não ter condições. Passei por inúmeras necessidades, mas nunca pela fome.

 

Imagine uma criança de dez anos deixar de ir à escola porque precisa trabalhar. Nessa zona, temos um lema que diz: ‘Ou come ou estuda’. É um cenário persistente na caatinga, apesar de as pessoas saberem que a única chance de mudar a vida é pela educação.

 

Eu me agarrei logo a ela como instrumento de transformação. Não queria que o meu futuro fosse semelhante ao de meus pais, que não terminaram nem o ensino fundamental.

 

O que me impulsionou foi a negação do transporte escolar, um direito nosso, mas que estava sendo violado pelas autoridades locais. A educação ajudou a me aceitar, me trouxe consciência, me fez enxergar as pessoas marginalizadas e me fortaleceu a seguir lutando para garantir nossos direitos.

 

Dói em mim saber que existe muito jovem a ser alcançado em outras comunidades rurais do alto sertão alagoano. E me frustra ver amigo, parente deixar o campo

 

As crianças tinham que caminhar até a escola na cidade. Em dias de sol quente, chuva, lama, muitas delas chegavam descalças, porque a sandália arrebentava no trajeto, e elas viravam chacota, sofriam bullying.

 

Juntei parentes e amigos e fomos à Secretaria de Educação. Nos trataram como invisíveis. Esperamos por cinco horas. Voltei para casa me sentindo derrotado. Chorei e pensei em desistir.

 

Comecei a entender sobre direitos com a ONG Visão Mundial, que atua em Canapi, cidade vizinha. Fiz cursos de capacitação, estudei nossos direitos. Estava pronto para ir novamente reivindicá-los.

 

Nos trataram com desdém. Só que, daquela vez, não aceitei. Juntei uns 30 jovens. A gente sabia que eles estavam nos tirando um direito constitucional, garantido pelo ECA. Com diálogo e informação, a gente conseguiu finalmente o transporte escolar.

 

Cidade pequena é cheia de desafios, desde violência contra gays e mulheres e destruição de áreas verdes a fuga de jovens para os grandes centros. Percebi, entretanto, que era possível transformar o nosso entorno.

 

Hoje, focamos na infância. Nas seis escolas em que trabalho, promovemos ações lúdicas com pegada educacional. Nosso objetivo é atuar em colégios dos povoados, com palestras, rodas de conversa e debates.

 

Envolvemos estudantes, professores, vereadores, secretários, conselho tutelar e policiais. Atualmente, 100% dos parceiros são públicos. É importante que os alunos aprendam a questionar e apresentem suas propostas para que as autoridades possam executá-las.

 

Há dois anos, comecei a trabalhar na prefeitura. Lá, tenho vínculo de apoio e consigo mobilizar os responsáveis. Queremos que o jovem do campo tenha uma formação. Portanto, precisamos criar oportunidades de estudo para que ele não abandone a terra.

 

Trabalhamos para certificar comunidades quilombolas, com iniciativas que gerem renda. Às mães jovens solo, por exemplo, oferecemos incentivo de R$ 4.000 para que elas invistam no campo.

 

Costumo dizer que o caminho que venho trilhando teve derrota e sofrimento. Houve momento em que pensei em fazer como tantos jovens daqui: abandonam tudo e vão para São Paulo trabalhar como segurança.

 

Agora, me vejo como uma liderança pela transformação social e pela visibilidade dos jovens. Existem muitos deles a serem alcançados em outras comunidades rurais.

 

O que me frustra é saber que amigos, parentes, vizinhos estão deixando o campo. Quando me vejo assim, o menino avexado renasce mais aperreado. Busco resistência no amor, no acolhimento e no respeito da minha família. Sou apenas um rapaz cheio de esperança, movido pela empatia”

 

 

Folha de S.Paulo




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