Projeções da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) indicam que o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio nacional deverá crescer até 5% em 2025, revertendo a retração recente e superando a alta esperada de 2% para 2024.
Em Pernambuco, após um desempenho expressivo em 2024, com crescimento de 11,4% no último trimestre, a expectativa é de continuidade no avanço, embora em ritmo menos acelerado.
A diferença de desempenho entre o Estado e o País reflete cenários distintos. Enquanto Pernambuco apresentou alta de 12% no primeiro trimestre e 22% no segundo, o Brasil registrou queda de 3,5% no PIB do agronegócio no mesmo período. Para a CNA, o recuo nacional se deve à redução nos preços desde 2023 e à diminuição na produção de culturas importantes, como soja e milho.
De acordo com Daniel Oliveira, da CONDEPE/FIDEM, o setor agropecuário em Pernambuco está em processo de recuperação acelerada, impulsionado principalmente pela pecuária. Produtos como ovos, aves e leite têm contribuído para o desempenho positivo, com níveis de produção se aproximando dos registrados em 2019 e 2020. A cana-de-açúcar e a fruticultura irrigada são destacadas como pilares estratégicos para o setor no Estado.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma safra recorde de grãos no Brasil em 2024/2025, alcançando 322,53 milhões de toneladas, um aumento de 8,2% em relação à safra anterior. No entanto, Pernambuco pode enfrentar desafios climáticos, como o risco de períodos de seca após anos consecutivos de chuvas acima da média.
Para Geraldo Eugênio, professor da UFRPE-UAS, é essencial fortalecer o pequeno e médio produtor, com investimentos em tecnologia e pesquisa voltados para a agricultura familiar. Ele reforça que pequenas propriedades têm potencial de crescimento, desde que sejam tratadas como unidades de negócio.
Outro desafio para o agronegócio nacional é o aumento da taxa Selic, que encarece o crédito, dificultando investimentos em tecnologia e expansão. Segundo o economista Werson Kaval, isso pode impactar diretamente os custos financeiros dos produtores, restringindo o crescimento do setor em um momento que exige competitividade e inovação.
Apesar dos obstáculos, o agronegócio em Pernambuco segue apresentando potencial de crescimento, reforçando sua importância na composição do PIB estadual e contribuindo para a recuperação econômica do setor no Brasil.
As informações são da Folha PE